Jovem e bonita? É pra já!

Parece ficção científica, mas, na verdade, a indústria cosmética tem investido tanto em novas tecnologias que já é possível deter (mesmo!) os efeitos do tempo. por Maria Carolina Balro

Sabe aquela história de que aos 20 anos a nossa pele é exatamente a que Deus nos deu e, aos 40, o resultado do que nós fizemos por ela? A idéia central continua a mesma: cuidar hoje significa ter amanhã. Porém, pesquisas recentes sobre envelhecimento, feitas em grandes universidades de todo o mundo, jogaram por terra o valor do tempo. Isso mesmo. Esperar até os 25 anos para tratar e proteger a pele é coisa do passado. A partir dos 18 anos – às vezes 15, dependendo da fragilidade da pele -, já é mais do que hora de dar uma força para a renovação celular (leia quadro abaixo). Além disso, com a quantidade de tratamentos disponíveis, é possível não só manter a pele jovem por muito mais tempo como deixá-la ainda mais bonita do que a versão original – leia-se dar cabo de pequenas asperezas, manchinhas e falta de brilho. E, com essa missão, novos cosméticos vêm surgindo. Os mais promissores nasceram da neurocosmética e da nanotecnologia.

A nossa pele é renovada naturalmente a cada 28 dias. Com o passar do tempo, o espaço de “troca da casca” ganha intervalos maiores. E as células sofrem por mais tempo a ação do sol, vento, calor e do próprio envelhecimento natural. Resultado: a pele fica mais grossa, opaca e até enrugada.

Neuropeptídeos

O que é:

O nosso corpo é formado por bilhões de células — as que fazem parte do nosso sistema nervoso são chamadas de neurônios e são especializadas em transmitir mensagens do organismo para o cérebro (são quase 100 bilhões de neurônios em cada ser humano). A pele, por sua vez, é rica em terminações nervosas, ou seja, de acordo com a necessidade, ela vive mandando mensagens para o cérebro. É aí que atua a neurocosmética: onde os ativos aplicados na epiderme chegam aos neurônios, protegendo-os ou estimulando-os, deixando a pele mais bonita. “A neurocosmética pesquisa e busca reproduzir os efeitos positivos que o bem-estar traz à pele”, diz Kélia Resende, farmacêutica da Galena.

Como age:

A neurocosmética tem nos neuropeptídeos seus grandes heróis. Essas substâncias, proteínas e aminoácidos encontrados naturalmente no organismo, estão em atividade no cérebro (daí a palavra neuro) e na derme e agem como mediadores entre as células nervosas e a pele, estimulando a formação de colágeno e a renovação celular. A quantidade de neuropeptídeos diminui com o envelhecimento. Assim, a neurocosmética prega que, ao repor essas substâncias na pele por meio de produtos cosméticos, garante uma aparência mais serena, bonita e jovial.

Os neurocremes:

Há dois ativos que atuam na preservação da conexão pele-neurônios e que sofre degeneração com o tempo. Um é o neuroxyl, que protege topicamente a tal rede, impedindo que ela se degenere, retardando, assim, o envelhecimento. Outro é o endorphin, que estimula a producão de, por exemplo, betaendorfina, um neuro-hormônio que dá à pele aparência e sensação de bem-estar, suavizando, acalmando e hidratando.

E tudo começou…

Com o dermatologista Nicholas Perricone, que, depois de ganhar o mundo com os efeitos antiflacidez do DMAE, divulgou as maravilhas dos neuropeptídeos para o rejuvenescimento e bem-estar da pele.

Nanotecnologia

O que é:

O prefixo “nano” vem do grego e significa “anão”. Um nanômetro corresponde a um bilionésimo de metro – para ter uma idéia, em uma cabeça de alfinete caberiam 1 milhão de nanômetros. A nanotecnologia aplicada à cosmética consiste em colocar princípios ativos em partículas tão pequenas, mas tão pequenas, que elas consigam penetrar nas camadas mais profundas da pele, potencializando os efeitos dos produtos.

Como age:

A nanotecnologia funciona a partir das nanopartículas, um tipo de “elevador” que carrega os princípios ativos até as regiões mais profundas da epiderme. Graças a isso, os nanocosméticos conseguem agir na camada basal, o local de nascimento da células da pele. Dessa forma, contribuem para que se forme uma epiderme de melhor qualidade já que fortalecem as células muito novas que ainda não sofreram as agressões do meio ambiente.

Os neurocremes:

Embora a maior parte deles seja de produtos anti-rugas, o princípio pode ser aplicado a todo cosmético já que quanto mais fundo ele for, maior a sua atividade (imagine as maravilhas da nanotecnologia em um creme anticelulite, por exemplo). “O cosmético vai chegar direto até as células nervosas, acionando-as para agirem na renovação do tecido cutâneo”, explica Maya Maalouf, diretora do Instituto Anna Pegova.

E tudo começou…

Os primeiros produtos que pretendiam combater as rugas limitavam-se a esfoliar a área mais superficial da epiderme, a camada córnea. Na década de 70, surgiram cremes cujas formulações continham substâncias que conseguiam penetrar na pele (mas só na camada córnea). Nos anos 80, chegaram ao mercado compostos à base de alfa-hidroxiácidos, capazes de ir um pouco mais fundo. A década seguinte foi dos lipossomas – minúsculas partículas compostas de gordura e água -, que chegavam ainda mais fundo na pele, mas não na camada basal. A nanotecnologia, já empregada por diversos laboratórios e empresas, promete isso.

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